Reações Adversas no Exterior: Ações sanitárias contra derivados tóxicos de kratom
Por:
Ricardo Tabach &
Brayan Jonas Mano-Sousa
Em julho de 2026, a Food and Drug Administration (FDA), em coordenação com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) e a Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos da América (EUA), implementou medidas sanitárias emergenciais contra formulações derivadas do fitoterápico kratom (Mitragyna speciosa). A intervenção concentrou-se em produtos enriquecidos com 7-hidroximitraginina (7-OH), um alcaloide bioativo potente derivado da planta, motivada pela multiplicação de notificações toxicológicas, admissões hospitalares de emergência e relatos de reações adversas graves nos EUA.¹
Apesar de amplamente divulgados na internet e em pontos de venda como supostos suplementos naturais para energia, analgesia ou relaxamento, os extratos concentrados demonstraram perfil de toxicidade agudo. Conforme registros dos centros de intoxicação e do sistema MedWatch, as reações adversas graves incluem hepatotoxicidade severa, arritmias cardíacas, crises convulsivas e depressão respiratória potencialmente letal. Por atuar diretamente nos receptores opioides centrais com potência superior à mitraginina tradicional, o 7-OH provoca rápida tolerância, além de síndromes de abstinência incapacitantes, disfunções gastrointestinais e alterações comportamentais.
Diante do risco iminente à segurança pública, as autoridades federais publicaram avisos de saúde pública, apreenderam lotes de produtos comercializados sob forma de pós, líquidos e comprimidos, e apoiaram o enquadramento emergencial da 7-OH concentrada na Lista I (Schedule I) de substâncias controladas. A FDA reiterou formalmente que nem o kratom nem seus derivados possuem respaldo científico de segurança ou aprovação jurídica como medicamentos, aditivos alimentares ou suplementos dietéticos, caracterizando-os como itens adulterados e perigosos.
Referências


